quinta-feira, 25 de outubro de 2012

One of A Kind



saudade
(latim solitas, -atis, solidão)
s. f.
1. Lembrança grata de pessoa ausente ou de alguma coisa de que alguém se vê privado.
2. Pesar, mágoa que essa privação causa.


Definir saudade é simples assim. Como também poderia citar várias definições mais informais ditas por outras pessoas, como que a saudade é um pouco como fome, ou que a saudade é solidão acompanhada, ou até mesmo que a saudade é a nossa alma dizendo pra onde ela quer voltar. Mas cada um, e somente um, sabe o seu significado de saudade. Pra mim poderia ser algo do qual passaria o dia inteiro escrevendo, textos e mais textos, apenas com o pequeno intuito de descrever a saudade que sinto.

Mas não é realmente necessário, a dona da saudade sabe o que sinto, e se ainda escrevo é porque quero, simplesmente preciso fazer uma tentativa, ainda que vã, de expressar a falta. Toda essa falta que me faz aqueles momentos. Desde aqueles simples acordar e ver sua linda cara de sono, até passar horas abraçado na cama falando de tudo e de nada. São esses momentos que definem o que somos. Não as loucuras, ou chegar tarde em casa ou qualquer coisa exótica. É o te olhar distraída e dizer que te amo vendo o sorriso crescer imediatamente; é a sua risada discreta quando eu digo alguma besteira. é eu te dar o abraço mais quentinho do mundo quando estamos esperando o ônibus.

Tão simples e ao mesmo tempo só nós dois entendemos. Não dá pra comparar porque não existem outros momentos em que eu me sinto assim, completo e cheio de vida. Ninguém me faz isso, ninguém me fez e com certeza ninguém me fará. E demorou 2 anos pra que eu me sentisse assim de novo, poderia até ter demorado 10 ou 20, você fez valer a pena toda essa espera com apenas 3 dias. E se fossem 3 meses ou 3 anos? Ou uma vida inteira? Eu posso querer isso. E, sinceramente, eu quero muito isso. E ninguém pode duvidar do quanto que quero isso.

É impossível comparar com qualquer momento de qualquer outra pessoa. Porque é só seu e meu. É único. É o que me faz feliz. É você.

É a única que faz com eu me sinta único.

E...

Quanta falta você me faz.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Iceberg


Esta é sobre indiferença e ódio:

Ter olhos e não ver
Coração e não sentir
O que somente você me faz
Ter vida e não ser
Ter mundo e não existir
Olha a tristeza que você me traz

Ter pernas e não andar
Ter boca e não beijar
Quanta falta você me faz
Ter ouvidos e não escutar
Cada palavra que tinha pra falar
Você insistiu em vagar e odiar

Por onde começar?
É hora da alma vagar
Por onde devo começar?

Vejo tudo congelar
Você e eu embaixo dessa chuva
Você e eu sozinhos aqui

Sinto que sozinha você não vai mudar
Sozinho por aqui eu vou ficar
E nesse oceano você e eu iremos vagar
E nada neste mundo nos fará mudar
É a hora da alma congelar

Congelar

Congelar

The Elven Girl


Hoje eu não vou falar de amor, do que será ou não, do que devia ter sido. Hoje vou falar de algo mais vivo, do que é, do presente. Quero falar do conto a lá Tolkien que tenho visto esse ano. De como eu conheci uma elfa (quase) de verdade. Não pretendo me alongar muito, não é necessário, quem precisa saber já sabe.

Foi engraçado. No almoço, naquele frango ao molho shoyu (eu acho), que eu estava odiando do fundo do coração, o universo tinha que me compensar com uma linda garota na mesa, mas a compensação não era por ser linda - disso tinha aos montes - mas por ser ela, com aquele jeito animado e único, quase pude ver um brilho nela. Mas não foi aí que eu a conheci de verdade, só conheci mesmo quando soubemos que tínhamos alguns amigos em comum, e como esse mundo é pequeno pra ter unido dois universos completamente diferentes, e que grata coincidência.

Depois dia após dia nós iamos conversando mais e mais, nos conhecendo melhor do que qualquer um, e logo tínhamos tamanha confiança que sabíamos 90% da vida do outro (passado, presente e futuro). Não foi difícil de perceber que você sabia da minha vida melhor do que qualquer outra amiga ou namorada, melhor do que amigos que conheço a 10 anos, melhor do que a minha mãe. E só escrevo isso pela coisa boa que me traz saber que tudo é tão fácil com alguém. É tão fácil essa confiança, esse entrosamento, essa confidencia, e estar do seu lado.

E sem perceber você foi me mudando, fui aprendendo muito sobre a vida com você, e sobre o que eu realmente gosto. Poucas pessoas me mostraram que eu não precisava ser adulto o tempo todo, que eu não precisava fingir algo quando eu poderia ser completamente infantil se eu quisesse. Me ensinou que eu não preciso escolher palavras ou tentar ser alguma coisa, quando é tão mais fácil ser eu mesmo. E isso tudo também fazia merecer eu escrever isso tudo aqui.

Lembro que quando eu te chamei de elfa e disse que só faltavam as orelhas pontudas, você insistia em dizer que faltavam aquela beleza descomunal, aquela voz de aeromoça sedutora e aquela luzinha de fundo. Mas isso importa? Nada disso faz nenhuma falta perto de você. Porque até quando eu estava totalmente depressivo por outra garota, você parece que sabia exatamente a hora de aparecer e fazer com que eu fosse o cara mais bobo e querido que existe. E é principalmente por isso que eu precisava escrever aqui.

Ahhh, mas o brilho, a luzinha de fundo, eu vi sim. Por isso que me encantou a ponto de dizer que é uma das minhas melhores amigas sem esforço. Uma das poucas amigas que eu farei de tudo pra levar pelo resto da vida. Porque é tão puro e fácil. Uma amizade que não foi corrompida pelo amor, pelo desejo ou pela paixão. Algo bonito de saber que tenho na vida.

E esse ano já valeu a pena por ter conhecido você, Gabriela!
:)

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Never Gone Away

You've never gone away from my head
You've never gone away from my heart
(I tried to hide from you
I tried to keep myself alone)
All the letters I sent you
You'll read again tonight
I even thought I was wrong
'cause you didn't receive with love
Those letters I wrote to you
When I still love you...

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Far Away Tales

Este é um conto sobre um (não) tão nobre Herói
Um Herói que sabia o valor da honra que construiu,
Mas era tão infame o pobre Herói
Ele que matou dragões ferozes e salvou donzelas das piores mazelas
Sempre estava na taverna, pra fingir que não queria a nobreza que conquistara...

Mas um medo o nosso tão corajoso Herói tinha
Medo da mais difícil das buscas, do monstro mais desafiador
Que ele sabia que, mesmo com toda a sua força e a sua esperteza,
A chance de falhar estava lá, e falhar seria o fim
O fim da jornada do nosso tão poderoso Herói...

Até que um dia, o nosso tão confuso Herói caminhava sozinho
Caminhava por um bosque que ele sabia que era o seu refúgio
No qual ele poderia pensar se valia pena encarar esses desafios ou na próxima taverna
Até que houve um grito, uma luta, um troll a mais abatido pra conta do tão forte Herói
E havia também mais uma donzela, mas não era qualquer donzela...

A donzela dessa vez era uma bruxa,
Sim daquelas do caldeirão e do chapéu pontudo
A grata bruxa decidiu que seria justo ajudar o tão inseguro Herói na sua busca
E com os seus tão estranhos poderes ela mostrou o futuro do seu tão amado Herói
E então ele viu tudo...

Ele se viu numa espécie de gazebo, daqueles que ficam na beira de um lago,
Com uma vegetação, um céu, um tudo, que exalava beleza e felicidade.
E lá estava a sua busca, o seu desafio maior, ela estava lá o esperando
E o tão assustado Herói viu aqueles olhos
Aqueles olhos que tiravam toda sua nobreza, toda sua honra, toda sua coragem.
Toda sua inteligencia e poder...

E aí ele soube que ali não queria mais ser Herói,
Que toda sua vida de aventuras e donzelas ficara para trás
Pois ele só queria ser um homem comum, e ao mesmo tempo excepcional
Só pra ela e por ela
E vendo aqueles olhos ele soube quem era a sua eterna amada
E então não proferiu uma palavra e apenas sorriu...

... pois ela era só dele e ele sabia que assim estava completo...

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Existem lutas que não valem a pena lutar
Existem fins que não valem a pena começar
Existem horas que não valem a pena sentir
Existem vidas que não valem a pena viver

Menos do Mesmo

Todo mundo, ou quase, gosta de ver aquela história longa, cheia de reviravoltas, que todos sabem que os mocinhos no final TÊM que ficar juntos, por tudo o que aconteceu, por tudo o que passaram pra haver aquela ligação entre eles, simplesmente qualquer um tem aquela vontade que eles precisam ficar juntos no fim, mesmo que seja piegas. Eu particularmente sempre preferi aqueles fins imprevisíveis, que os mocinhos não podem ficar juntos por alguma eventualidade. Como se o sentimento não devesse ser aquela coisa óbvia que vai manter duas pessoas juntas pro resto da vida. Mostra que a vida é maior do que qualquer sentimento. Seja por um evento fatal ou uma escolha no fim do filme que faz com que os protagonistas tenham que viver 2 caminhos separados que nunca mais se cruzarão. É triste, é anti-clímax, mas sempre preferi finais assim. Odeio coisas previsíveis.

A nossa história nunca foi previsível, sempre houveram aquelas reviravoltas que não dava pra falar pras outras pessoas porque simplesmente era inacreditável. Não sei se todos torciam pra terminarmos a história juntos, mas tinha (tem) aquele sentimento, do tipo que só conseguimos ver em filmes de tão incrível e raro que ele era. É tão incrível que eu realmente não conseguia olhar pra pra outras pessoas enquanto essa história não chega no seu momento mais importante. Não conseguia ficar tranquilo ou dormir. Não conseguia me concentrar no que eu deveria ou conversar direito com quem eu precisava. Mas talvez isso tenha acontecido porque eu sabia que não iria gostar do final desse filme. Sabia que seria previsível. A escolha é a mais previsível do mundo, e repito que nenhum sentimento é maior do que a vida, e nós sabemos que a sua escolha sempre deveria ser permanecer no caminho que está. O amor é lindo, é o sentimento mais nobre do mundo, mas é melhor viver sem amor do que viver se arrependendo do que foi deixado para trás. E eu simplesmente não posso deixar você não escolher esse caminho.

Perceba o quanto te amo, eu estou escolhendo o caminho mais fácil pra você e o mais difícil pra mim, estou escolhendo abrir mão deste único amor, estou escolhendo viver com esse vazio da falta do laço, estou escolhendo conviver com essa saudade que já me corroia por dentro há mais de 1 ano, estou escolhendo passar mais algumas semanas nessa situação depressiva, do que ter que te ver remoendo algum arrependimento que não dê mais pra voltar atrás, ou triste por perder pessoas tão importantes na sua vida, que eu tenho certeza que agora são mais importantes que eu. Esse amor é mesmo coisa de filme, daquelas comédias românticas que o mocinho tem que fazer as coisas mais bobas do mundo pra conquistar a mocinha e que todo mundo gosta de ver. Mas se bem que haveriam algumas pessoas que não gostariam dos nosso filme.

E essa escolha é pra afirmar mais uma vez que o amor não deve ser maior do que a vida. Nunca vou esquecer do quanto você me mudou, de ter me dado forças pra sair daquela situação deplorável que eu estava, por ter visto que eu posso sim ser um leão mais forte do que eu era, de tudo o que me ensinou sobre um outro lado melhor da vida. E por ter me marcado tão fortemente, a ponto de estar escrevendo esse texto com uma imensa dor no coração. Mas principalmente por ter me mostrado que existem sentimentos infinitos por outra pessoa com quem não temos a ligação da família. E nunca vou esquecer do seu olhar. Todo dia eu tenho que dizer a mim mesmo que o seu olhar deve ser a última coisa que eu devo lembrar antes de morrer. Preciso levar o seu olhar.

E menos do mesmo é o que vou te pedir agora. Todos gostam daquelas séries longas que parecem não ter fim. Mas qualquer história tem um fim. Não precisa ser um final feliz como a de qualquer filme de romance. Mas tem que ser o nosso fim, só nosso. Assim quem sabe o nosso filme acabe sendo aqueles clássicos que as pessoas falem por décadas e nunca são esquecidos. Pra mim já o é, e pra você?

E seus olhos azuis
Sempre me refletem algo bom

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Tango


Todas as pessoas próximas a mim sabem que de tempos em tempos estou com outros relacionamentos, com outros rolos, com outros... algo do tipo, é algo tão rápido e tão recorrente que acaba passando a imagem negativa de que faço isso por gostar de "ter opções", de não me importar com os sentimentos das outras pessoas, de ser a pessoa mais egoísta do mundo. Sim, egoísta eu fui, de fato, porque muitas vezes não imaginava até onde algo podia chegar, ou não queria imaginar. Mas ninguém imagina o quanto eu me sentia culpado nestes momentos, de não poder declarar um sentimento verdadeiro nesses momentos.

Culpa. Um sentimento com o qual eu realmente não sei lidar. Não sei lidar desde quando eu errei a 2 anos atrás, e isso me custou alguém insubstituível. E eu tentava ao máximo evitar chegar até este sentimento, mas parece que a culpa sempre estará presente na minha vida. Foi a culpa que me ensinou que existem erros irreparáveis, e que só podemos conviver com eles. E esse meu comportamento talvez tenha sido uma forma de tentar reparar esse erro, reparar pra mim, ou me convencer de que eu não havia errado. Ou era assim que eu pensava até alguns dias atrás.

Nas últimas semanas a pessoa que eu havia perdido reapareceu na minha vida, e com ela vieram algumas respostas. Aquilo que eu sentia quando estava deitado na sala sozinho, com aquela vontade de ter atenção de alguém, na verdade era só saudade dela, da atenção dela. E quando eu olhava no celular, pensando que chegaria algo pra ver, era a vontade de que ela lembraria de mim e me mandaria alguma mensagem. E quando eu olhava os olhos claros de outra pessoa, era na verdade procurando o olhar que só ela sabia fazer. As pessoas sempre me perguntaram porque eu gostava tanto de olhos claros, e agora eu posso responder que foram olhos claros que um dia já fizeram eu me sentir tão forte, tão bem, tão perfeito. E os cabelos. Eu nunca disse como eu gostava tanto dos seus cabelos, não é? Nenhuma conseguia aliar esses cabelos claros tão bonitos com o aquele jeito de fada dela.

Mas com esse reaparecimento também ficou evidente o vazio que eu tinha dentro de mim. Ficou evidente que só tentava preencher esse vazio com outras pessoas. Mas também ficou evidente que nenhuma pessoa consegue se encaixar nesse espaço (e não foi por falta de tentativas!). No entanto, a coisa que mais ficou evidente é que existe um laço, acredito completamente que apenas um na vida de todos, que é mais forte que os outros bilhões de pessoas no mundo, que não importa o quanto outra pessoa possa se encaixar na sua vida, ela nunca irá preencher o lugar desse laço. É insubstituível. É o sentimento mais nobre da existência humana. É o tão famoso e incompreendido amor. E quando tudo isto ficou evidente, caiu a ficha do meu erro. E eu ganhei a maturidade de admitir a minha imaturidade, de saber que esse erro eu levarei pro resto da minha existencia, de que a culpa é só uma consequência de ter desfeito uma coisa tão bela na vida, a chance única deste laço se manifestar na sua forma mais bonita e perfeita. E a falta deste laço é esse vazio, como que pra lembrar todo o futuro que você jogou fora, todos os bons momentos e as vidas que poderiam derivar deste laço e não irão.

E então eu soube que ela também sentia alguma saudade, que acreditava nesse sentimento, que estaria disposta a dar outra chance para essa história. Essa história que nunca teve um fim de verdade, que possivelmente nunca terá. Então eu vi que este laço estava usando todas as suas forças para reatar suas partes. Eu vi que o laço estava tentando novamente preencher o vazio. E que este laço sempre tentará usar de tudo para voltar. Porque é o natural, é o belo, é o perfeito. E aí eu soube que as minhas forças viriam deste laço, e que eu estaria mesmo disposto a usar esse tudo pra continuar a nossa dança, a dança que só nós conhecemos, que não importa o quanto troquemos os pares, sempre será só nossa. Esse nosso eterno tango.

And if a double-decker bus crashes into us. To die by your side is such a heavenly way to die.